|
Ecumenismo e política
Dom
Anuar Battisti
redacao@odiariomaringa.com.br
Ao se falar de Ecumenismo, se pensa logo em religiões que buscam
caminhar juntas, deixando de lado as diferenças, buscando o que as une.
Unidade é a palavra-chave da caminhada ecumênica. Aqui em Maringá, o
Movimento Ecumênico completa amanhã, 11 anos de organização.
Certamente, essa data não ficará no esquecimento, pois já foi marcada
uma celebração na Igreja de Confissão Luterana no Brasil e uma jantar de
confraternização. Que bom contar com gente de cabeça aberta e de visão
futura, encarnando aqui o desejo de Jesus, que orando ao Pai, suplica:
"que todos sejam um com nós somos um". (Jo17,21)
Nesta caminhada, ainda pequena, participam as seguintes comunidades:
Igreja de Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista
Central, Igreja Evangélica Luterana, Comunidade São Marcos, Membros da
Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Católica Apostólica
Romana, Igreja Episcopal Anglicana.
Neste contexto, é importante lembrar que a caminhada de unidade se faz
com gente que pensa diferente, que tem uma maneira diferente de orar e
crer, com uma organização diferenciada, porém, descobriram no caminho
muita coisa em comum e que podem unir esforços para ações conjuntas de
fraternidade e solidariedade. Nestes anos, têm acontecido várias
atividades, destacando de maneira especial a semana de oração pela
unidade dos cristãos, e a reflexão conjunta sobre temas da atualidade.
Neste caminho, queremos estreitar laços e formar uma mentalidade onde o
diferente deve ser amado e respeitado como sendo o próprio. Amar a
religião do outro como amamos a nossa própria religião. Já passou o
tempo de pregações agressivas e proselitistas que marcaram época no
passado, mas que hoje não encontram espaço entre as pessoas mais
esclarecidas.
Penso que neste tempo de pleito eleitoral, todas as religiões estão
participando na conscientização dos leitores, a fim de depositar o voto
em pessoas que tenham condições de construir o bem comum de todos,
independentemente de religião, raça, cor ou condição social. É
inconcebível e contradizem os princípios democráticos, qualquer campanha
sobre candidatos enfatizando ser desta ou daquela religião.
É desagregador da unidade e do bem de todos, uma religião apresentar um
único candidato para que todos votem nele. Isso compromete a liberdade e
a consciência da livre escolha do eleitor. Vale sempre e em todos os
ambientes da convivência social o respeito pela diversidade e a
pluralidade de pensamentos. Por que todos devem pensar e ver a realidade
do mesmo ponto de vista?
O Conselho Mundial de Igrejas na Fórmula da Unidade de 1961 afirma: "Por
isso é necessário conhecer com alegria e estimular os valores
genuinamente cristãos, derivantes de um patrimônio comum, que se
encontram entre irmãos de outras confissões, a fim de que todos possam
agir no que diz respeito às tarefas para as quais Deus chama o seu
povo". Nosso Deus, o Deus da Bíblia tem como característica fundamental
a comunhão entre as três pessoas da Santíssima Trindade.
O povo que é Dele não pode viver a não ser na mesma comunhão. Portanto,
o ecumenismo se caracteriza pela busca de entendimento, na aceitação do
diferente, no respeito pela desigualdade. O ecumenismo também deve
existir na prática da política partidária, de maneira especial no pleito
eleitoral que estamos vivendo.
► Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá.
Fonte:
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/198887
|