Caminhada da Inclusão

(João 5.1-9)

Robert Stephen

Newnum

 

Hoje em dia nossa sociedade valoriza as pessoas que são fortes, saudáveis, com corpos sarados e perfeitos; todos aqueles e todas aquelas que, de alguma forma, conseguem sair na frente dos outros. E, com isso, tal qual aconteceu ao paralítico que Jesus encontrou no tanque de Betesda, muitas pessoas ficam de fora. Elas ficam de fora por serem diferentes, por não se encaixarem aos modelos do mercado de trabalho, ao modelo de aparência das demais pessoas. No tempo de Jesus era assim, e para piorar, as pessoas com deficiência eram consideradas impuras e não podiam nem ao menos ser tocadas. Felizmente hoje ninguém pensa assim.

Mas, infelizmente, as pessoas com deficiência ainda são vistas por muita gente, e também por muitas empresas, como aqueles e aquelas que têm menos capacidade e menos condições de competir. Sendo fora do mercado de trabalho, as pessoas com deficiência ficam sem dinheiro, e sem dinheiro, tudo é feito sem levá-las em conta: shoppings, supermercados, cinemas, escolas particulares, teatros, ruas, ônibus e sinais de trânsitos, enfim, quase nada é feito pensando nelas, porque elas não dão lucro.

Nos Estados Unidos, meu país de origem, as coisas não são perfeitas em relação às pessoas com deficiência. Mas são um pouco diferentes, porque lá as empresas empregam mais e discriminam menos. Com isso, as pessoas com deficiência têm dinheiro e por isso chamam mais atenção e assim nem precisam exigir tanto certas coisas. Na verdade, nos Estados Unidos promover acesso com rampas e até elevadores para pessoas com deficiência é interesse das cidades e do comércio em geral, são eles que querem conquistar a simpatia das pessoas com deficiência, porque elas são consumidoras tão importantes quanto as demais pessoas.

A história sobre o paralítico no tanque de Betesda pode ser entendida de várias maneiras hoje. Uma maneira é que o tanque representa mercado de trabalho. Se Jesus não ajudar as pessoas com deficiência a chegar a esse tanque moderno, elas continuaram sendo tratadas como pessoas de menos valor. Mas hoje Jesus nos manda agir no seu lugar, fazendo o que ele faria, ajudando a diminuir ou eliminar as causas das condições de exclusão e promovendo a inclusão através de atitudes fraternas e também de denúncias do descaso do poder público e das empresas privadas.

Jesus nos mostrou que aquela pessoa com deficiência não precisava ficar abandonada no seu cantinho; ela tinha dignidade e não poderia ser desprezada ou abandonada por causa da sua deficiência. Jesus dá a ela condições e coragem para ocupar seu espaço com dignidade dentro da sociedade. Jesus estendeu a mão e a ajudou.

Na última visita aos Estados Unidos fui visitar o memorial do Martin Luther King, um pastor Batista que lutou pelos direitos humanos dos negros. Eu, minha esposa e todas as pessoas do grupo ficamos encantados, pois fomos conduzidos por o guia com deficiência visual. Ajudado apenas por um cão guia, aquele homem nem parecia que não enxergava. Ele ia descrevendo para nós cada detalhe, do parque e da casa da família de King; tinha a história na ponta da língua e no final da visita todos nós saímos bem informados e felizes. Certamente ninguém o trocaria por outra pessoa, pois ele foi simplesmente “perfeito”.

Jesus desafia as pessoas saudáveis, os fortes e fisicamente “perfeitos” a superarem o preconceito e a discriminação em relação às pessoas com deficiência e a acolhê-las, valorizar e promover a dignidade delas.

A deficiência não diminui o valor das pessoas. Todos nós temos um tipo de deficiência; umas mais visíveis que outras. Ninguém é perfeito, mas todos podem superar os seus limites.

“Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos.” Deus afirma: Não te deixes marginalizar, vem para o convívio da sociedade.

 

Essa meditação foi preparada para a Caminhada da Inclusão do dia 07-04-2006 da Campanha da Fraternidade em Maringá. 

Robert Stephen Newnum é Doutor em Ciências da Religião e professor no Cesumar e Cemetre em Maringá.