Um ecumenismo
missionário
É já comum entre nós compreendermos o mês de outubro como o “mês das missões”. Mês em que celebramos a Igreja missionária, em sua consciência, em seu agir, em seu ser. Celebramos o compromisso do batismo, que nos faz sermos missionários/as como profetas do Reino.
A missão tem como objetivo possibilitar a todas as pessoas a comunhão em Deus. Trata-se do projeto maior do Deus amoroso, que sonha com a humanidade comungando do seu projeto de alegria, de paz, de justiça, de fraternidade... Trata-se da comunhão no projeto do Reino do qual ninguém está excluído.
Se ninguém está excluído do projeto de Deus, ninguém está excluído também da missão de colaborar na realização desse projeto. E aqui estão as igrejas e as religiões como as primeiras que devem contribuir na experiência da comunhão. Assim, o diálogo ecumênico é fundamental para a missão. Há uma corresponsabilidade dos diferentes grupos religiosos na missão de aproximar as pessoas crentes em Deus numa forma de vivência que vislumbre a experiência do Reino.
O movimento ecumênico sempre teve a missão em sua agenda. No mundo cristão, quer aproximar as igrejas na compreensão do Evangelho, favorecendo a fé no único Cristo. Entre as religiões, busca promover um projeto social comum, pautado na justiça e dignidade para toda a humanidade.
A missão não pertence aos grupos religiosos, não pertence às igrejas e nem aos seus agentes. A missão pertence a Deus. É Deus quem atua na oikoumene, em todo o mundo habitado. As comunidades religiosas são «instrumentos» da ação de Deus no mundo. E como Deus é comunhão – Pai, Filho e Espírito Santo – o agir destas deve expressar o que Deus é: deve acontecer na comunhão para gerar comunhão. Esse é o significado ecumênico da missão.
O Reino buscado possui as cores de todas as igrejas, de todas as religiões, de todas as etnias, de todos os povos e culturas. Por isso a missão é ecumênica: nos desafios: a defesa da vida humana e do planeta, a cultura anti-solidária, a absolutização do econômico, etc; na finalidade: mostrar o significado religioso da história humana; reconciliar as relações entre os indivíduos e povos; afirmar a utopia do Reino; no conteúdo: partilha, comunhão, solidariedade, vida...; no método: diálogo, cooperação, corresponsabilidade.
Assim, o ecumenismo é um serviço ao Reino, à
comunhão com o Deus que transcende as fronteiras religiosas. E o campo
missionário é um espaço de respeito, cooperação e reconciliação entre as
diferentes formas de exerienciar Deus. A
missão de proclamar o Reino de Deus de maneira significativa hoje, é uma tarefa
essencialmente ecumênica.
Para isso, é preciso renovar as estruturas religiosas, questionando se elas geram comunhão. Três critérios: 1) se as instituições possibilitam a solidariedade para com os empobrecidos; 2) se possibilitam aos crentes em Deus uma caridosa preocupação de uns para com os outros; 3) se ajudam o discernimento dos «sinais dos tempos», rumo a uma nova humanidade.
Quando o diálogo entre igrejas e religiões favorecer para isso, temos, então, um ecumenismo é missionário.
Pe. Elias Wolff
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