Natal: A unidade nascente

 

Em tempos de fim de ano, faz-se necessária uma avaliação da caminhada realizada, respondendo a questionamentos como: Qual foi a unidade buscada durante o ano? E qual foi o caminho percorrido para alcançá-la? Em que ponto da caminhada nos encontramos agora? De que jeito caminhamos e quem foi nossos(as) companheiros(as)?

Se é verdade o dito popular «Dizes-me com quem andas e direi quem tu és», aresposta a essas interrogações traçam o perfil da unidade em construção em nossas vidas e comunidades. O caminho percorrido com membros de outras igrejas e religiões cria em nós um jeito ecumênico de ser e de caminhar, despertando-nos para a acolhida, o respeito, o diálogo e o compromisso comum. E ajuda-nos a perceber que a verdadeira unidade exige o fim de todos os tipos de exclusão. A humanidade inteira está incluída no horizonte da unidade, traçada pelos desejos, sonhos e esperanças dos peregrinos.

E então compreendemos que caminhar com os membros de outras igrejas, desperta-nos para perceber como é rica a Igreja de Jesus Cristo ao assumir tamanha diversidade na sua concretização histórica. E caminhar com os irmãos de outras religiões ensina-nos a compreender quão grande é o amor salvador de Deus, que atinge a humanidade inteira, expressando-se na riqueza dos ritos, textos sagrados e profetas dos mais diferentes credos. E sentimos acontecer em nós um processo de purificação e libertação de tantos preconceitos em relação às suas tradições religiosas, despertando-nos para a acolhida da revelação divina por modos inusitados.

E então se faz natal, a unidade nascente. E então compreendemos que a história da humanidade está grávida desta esperança. Anseia pela chegada do dia do parto, quando a vida de comunhão nascerá para todos no leito da oikoumene. E gestamos, em nossos sonhos e desejos, a unidade futura. Ela irrompe na nossa história como que um sacramento. Não é vista em sua totalidade, nem é tocada em sua concretude. Mas é sentida, é acreditada, é vivida. Está aqui e ali, onde estivermos. Ela está conosco e em nós. E todos passamos a ser profetas da unidade, interpretando os sinais que anunciam a sua presença em nosso meio, tornando-a explícita e concretizando-a em nossas vidas.

Natal é assim, a unidade nascente, tenra, terna, frágil 

Abraços entre o céu e a terra, humano e divino, tempo e eternidade

 
Aparente fragilidade.

Vigor de esperança, projeto de comunhão 

En-canto de vozes anunciando caminhos 

Do amor que vincula na estrada os peregrinos,

O caminho se faz canção.

O Novo se faz presente, em sua tenda armada 

A todos congrega, re-une, contagia

Entoam-se novos hinos

Em toda a terra habitada, 

Findam-se as divisões, o amor no mundo irradia.

O abraço é sincero, os corações se penetram

As mãos se tocam, o olhar embevece

Os lábios sussurram, o beijo inebria

E na casa de todos, nova vida se tece. 

Tão longo vejo o caminho, tão perto perto creio na meta, 

Confiante, dançando a aventura

Lutas vividas, não importa se «perdidas»

Permanece no tempo o sonho

Da unidade futura.

Natal, o futuro presente,

Natal, a unidade nascente.

Pe. Elias Wolff