Depois do I e II Fórum
Social Mundial, realizados em Porto Alegre em 2002 e 2003, respectivamente,
repetimos seguidamente seu lema «um outro
mundo é possível». É já um projeto de vida, para todos nós. Afirma que a
razão do viver não está apenas no mundo atual, exigindo a transformação deste
em vista do futuro. E nos faz peregrinos da
e na esperança, certos de que «o
futuro acaba sempre acontecendo e é melhor do que qualquer passado».
Quando dizemos «um outro mundo é possível», nos sentimos
provocados a buscar «algo mais», «outro» estilo de vida, «outro» projeto, para
nós mesmos e para a humanidade. Buscamos «outra coisa» para dar sentido à vida,
apesar de nem sempre sabermos o que se busca. O fato é que não nos conformamos
com o estado atual das coisas. Tudo pode ser melhor! E questionamos nossas
certezas, vemos a fragilidade das nossas posições, damo-nos conta dos
desequilíbrios no mundo presente. E cremos: «um outro mundo é possível».
Duas coisas são fundamentais
para «um outro mundo possível»: 1) não vale dizer «um outro mundo é possível se meu mundo for possível». Ninguém pode
apresentar a si mesmo, seu modo de ser, de ver e fazer as coisas como critério
para o outro mundo. Pode, e deve, contribuir com algo de si, mas sem impor-se.
2) «Um outro mundo possível» exige
mudanças no meu mundo. Um teste: os amigos são sempre os mesmos? Os
ambientes e pessoas frequentadas não mudam nunca? Partilha-se os projetos
sempre com as mesmas pessoas, os que concordam com eles? Então, dificilmente
haverá «outro» mundo...
Um outro mundo é possível se houver inclusão: de pessoas, de espaços, de
sentimentos, de projetos... que «não partem de mim», mas que acolho em mim. «Um outro mundo é
possível» pelo respeito às diferenças, por atitudes de tolerância, diálogo e
cooperação também (e sobretudo!) com quem discorda de mim. «Um outro mundo é
possível» pela busca da comunhão sincera de sentimentos mais do que de idéias,
de sonhos e utopias mais do que de verdades, de corações e afetos mais do que
de projetos.
E nisso o ideal do
ecumenismo tem muito a ensinar. As igrejas e religiões em diálogo apontam para
«um outro mundo possível», abrindo as identidades fechadas, abandonando as
práticas e os conceitos engessados, alargando os horizontes da comunhão. Um
outro mundo é possível pelo diálogo que conduz a novas realidades: unidade sem
exclusividade dos únicos, comunhão sem solidão dos mesmos, convívio sem egoísmo
entre os iguais. Enfim, só alcançará «um outro mundo» os que mudarem «seu
próprio» mundo.
Então podemos alimentar o
sonho, a utopia, a esperança, de que as coisas serão melhores. E sonhamos
juntos, ousadamente, com o fim da dor, da angústia, da fome, da injustiça, da
morte... Sim, um outro mundo é possível,
não apenas diferente mas melhor. Uma
nova vida é possível, uma nova sociedade é possível, uma nova Igreja é
possível. Desde que saibamos percorrer os caminhos do diálogo, da inclusão, da
tolerância, da corresponsabilidade, do respeito à diferença... Por esses
caminhos seguem as igrejas e religiões que alimentam o sonho da oikoumene possível.
Pe. Elias Wolff