II ENCONTRO DE BISPOS CATÓLICOS (CNBB) E PASTORES SINODAIS (IECLB)

Curitiba, 18-20 de agosto de 2009.

 

 

Ecumenismo busca novo impulso para seu fortalecimento

 

“Gostaria de, novamente, falar sobre a minha satisfação de estarmos reunidos aqui”, afirmou o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Walter Altmann, durante o II Encontro de Bispos Católicos e Pastores Sinodais, realizado em Curitiba, de 18 a 20 de outubro. “Tenho certeza de que esse encontro significa um impulso vigoroso para as causas ecumênicas das nossas igrejas.”

Durante três dias, 34 representantes da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) e da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – incluindo o pastor presidente Walter Altmann e os pastores 1º vice e 2º vice-presidentes, Homero Severo Pinto e Carlos Möller –, discutiram temas ligados ao Ecumenismo no Brasil, entre os quais: a história da caminhada da Comissão Bilateral Brasileira; um olhar ecumênico sobre dioceses e sínodos; o panorama do Cristianismo no Brasil; e elementos históricos da assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, ocorrida em 1999, na Alemanha. O encontro foi organizado, em comemoração aos 10 anos da assinatura da Declaração Conjunta, pela Comissão Bilateral de Diálogo. Teve o apoio da Presidência da IECLB, da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Federação Luterana Mundial (FLM).

O que mudou nesses 10 anos? “Fazer essa pergunta é crucial para orientar a caminhada daqui para frente”, avaliou o pastor Sinodal Manfredo Siegle, do Sínodo Norte Catarinense, coordenador pela IECLB da Comissão Bilateral. “O que percebemos no encontro é que existem muitos sinais de compreensão e de atividades conjuntas entre obreiros das duas igrejas, mas que resultam muito mais pela vontade individual de cada um.” Como fazer com que as pessoas nas comunidades, nas bases, conheçam e compreendam o sentido da Declaração Conjunta? “Esse encontro quer justamente reforçar o clima de confiança mútua já existente, buscando o aprofundamento do diálogo entre as igrejas. Sem isso, não se pode trabalhar nas bases”, afirmou Siegle.

No encontro, os participantes apontaram uma série de desafios para incrementar o trabalho ecumênico em geral. Foram identificadas situações de impasse e de fragilidade da convicção ecumênica, onde avanços do diálogo exigem novas mudanças internas nas igrejas, como a hospitalidade eucarística e a cooperação dos ministros ordenados. “Os avanços reais no diálogo teológico já levaram a conseqüências práticas importantes, como o reconhecimento mútuo do batismo e a Declaração Conjunta da Justificação – pela qual justamente se comemora 10 anos. No entanto, outras questões já tratadas, como a comunhão eucarística e o reconhecimento mútuo dos ministérios, ainda não são realidade”, avaliou o pastor presidente da IECLB, Walter Altmann. Mais um desafio é a necessidade de maior criatividade na reconfiguração do movimento ecumênico, buscando uma nova linguagem, método, objetivos e novas parcerias

Em termos de novidade sobre o diálogo ecumênico foi citada a existência de novos agentes promotores do diálogo, com o “espírito ecumênico” dos precursores, na busca de formação de uma “mentalidade teológica ecumênica” – mas ainda sem a experiência de articulação, constatou o Pe. Elias Wolff, assessor da Comissão Episcopal para o Diálogo Ecumênico e Inter-religioso, da CNBB. Nesse contexto, “o encontro manifesta uma positiva inquietação ecumênica e busca de continuidade”, afirma o bispo dom Remídio José Bohn, coordenador da Comissão Bilateral de Diálogo pela ICAR. “Conforme falado aqui, com muita convicção, não podemos abandonar o caminho aberto e profeticamente percorrido antes de nós. A questão é como prosseguir.”

Para responder a pergunta-chave, muitas foram as sugestões apontadas, entre as quais uma maior freqüência de encontros semelhantes – o I Encontro entre Bispos e Pastores Sinodais aconteceu há sete anos, em 2002; maior integração dos organismos promotores do diálogo; sínodos e dioceses poderiam ser extensão local do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), por exemplo, repercutindo as discussões da Comissão Bilateral de Diálogo; os documentos existentes devem ser melhor divulgados, tanto em centros de formação das igrejas quanto nas comunidades e dioceses. Além disso, ecumenismo não deve ser encarado como uma opção – ser cristão significa ser ecumênico.

“Estamos muito satisfeitos com o resultado. A Comissão Bilateral sai daqui com uma pauta bem definida”, analisou, no final do encontro, o coordenador pela IECLB da Comissão Bilateral, pastor sinodal Manfredo Siegle.

Relembrando: a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação da Federação Luterana Mundial (FLM), da qual a IECLB é membro, e da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) foi um documento assinado em 31 de outubro de 1999, na cidade de Ausburgo, na Alemanha, estabelecendo que as confissões luterana e católica professam a mesma doutrina sobre a justificação pela fé, embora com diferentes desdobramentos. O documento foi assinado pelo bispo luterano Christian Krause, então presidente da FLM, e pelo cardeal Edward Cassidy, pela Santa Sé. Tanto a FLM, representada pelo seu secretário geral, reverendo Ishmael Noko, quanto o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, presidido pelo cardeal Walter Kasper, festejaram a assinatura do documento como um passo importante para o ecumenismo entre as denominações cristãs.

Resumidamente, a Declaração professa que: "Confessamos juntos que o pecador é justificado pela fé na ação salvífica de Deus em Cristo; essa salvação lhe é presenteada pelo Espírito Santo no batismo como fundamento de toda a sua vida cristã. Na fé justificadora o ser humano confia na promessa graciosa de Deus; nessa fé estão compreendidos a esperança em Deus e o amor a Ele. Essa fé atua pelo amor; por isso o cristão não pode e não deve ficar sem obras. Mas tudo o que, no ser humano, precede ou se segue ao livre presente da fé não é fundamento da justificação nem a faz merecer."