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UM ENCONTRO SOBRE TEILHARD DE CHARDIN
No
último dia 21 de outubro reuniram-se em Garopaba – SC alguns teólogos,
padres, pastores, seminaristas e agentes de pastoral para refletir sobre
a teologia de Teilhard de Chardin, de quem se comemora, neste ano, os 50
anos do falecimento. O grupo ecumênico foi recebido pelo pastor Donald
Nelson, que reside em Garopaba. O estudo do pensamento teilhardiano foi
marcado pela espiritualidade e convivência ecumênicas do grupo. Do
sucesso do encontro surgiu a idéia de realizar, no ano próximo, um
congresso sobre este grande teólogo do século XX. A data ainda será
acertada.
O
francês Pe. Pierre Teilhard Chardin foi jesuíta e, sem dúvida, um dos
grandes gênios do século XX. Com base nos conhecimentos filosóficos,
teológicos e científicos do seu tempo, Teilhard acendeu novas luzes no
relacionamento entre cientistas e teólogos, entre ciência e fé. Para
tal, dedicou toda sua vida ao estudo da teologia e das ciências. No
campo científico alcançou grande prestígio, sobretudo na área da
paleontologia e do evolucionismo. Por parte da Igreja seu pensamento
teológico foi condenado inicialmente, no começo dos anos 50. Mas, anos
mais tarde, no Concílio Vaticano II, foi reconhecido por muitos padres
conciliares. Seu pensamento contribuiu para a elaboração de uma nova
teologia da criação e da valorização das realidades terrestres e para
uma aproximação e contribuição recíproca entre teologia e ciência.
Desde o
início da idade moderna os campos da ciência e da teologia viviam em
constante conflito. Sendo cientista e teólogo, Teilhard viveu
intimamente este conflito, punha à prova a ciência e a fé em sua própria
vida. Diante das novidades provindas da ciência procurou justificar a fé
e mostrar que ela não podia ser incompatível com tais descobertas.
Teilhard propunha-se dialogar com os cientistas, com a intenção de
ajudá-los na compreensão da fé. Mas, por outro lado, procurava superar
os pré-conceitos da teologia com relação às descobertas científicas. Em
suma, propunha uma relação harmoniosa entre estes dois campos.
Hoje,
talvez de maneira menos intensa, continua um certo conflito entre a fé e
as descobertas científicas. Um exemplo deste conflito se reflete na
atitude de adolescentes e jovens que não sabem o que fazer com a
catequese recebida sobre a criação do mundo quando, nas escolas e nas
universidades, entram em contato com as teorias científicas sobre a
evolução. Parece-lhes que haja oposição entre a fé recebida e a ciência
aprendida. Se Teilhard fosse estudado pelos professores e pelos
formadores da fé (catequistas) talvez esta crise pudesse ser poupada na
vida destes adolescentes e jovens que poderiam admitir as descobertas
científicas sem ter que abandonar a sua fé. No entender de Teilhard, a
ciência e a fé podem conviver harmoniosamente. Para isso é preciso
humildade e abertura. Quando um lado se fecha, o diálogo não é possível.
Num
mundo que vai se tornando cada vez mais plural, científica, ética e
religiosamente falando, Teilhard de Chardin, que era homem de mente
aberta, tem muito a ensinar às novas gerações sobre a possibilidade de
diálogo entre as religiões, entre ciência e fé, entre pessoas de igrejas
diferentes, de culturas diferentes.
Sidinei
Oliveira Nunes
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