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SERVIÇO DE NOTÍCIAS ALC VATICANO - Papa recebe delegação luterana Cidade do Vaticano, Nov 9 (ALC). No próximo ano, será editado o documento "A apostolicidade da Igreja", informe que resulta do diálogo empreendido pela Comissão Internacional Católica-Luterana na sua quarta fase, iniciada em 1995. O novo documento foi anunciado na audiência do papa Bento XVI com a comitiva da Federação Luterana Mundial (FLM), na segunda-feira, 7, no Vaticano. O papa destacou o diálogo que há anos católicos e luteranos desenvolvem, que desembocou na Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinado pela Igreja Católica Romana e a FLM em 31 de outubro de 1999, na cidade alemã de Augsburgo, um dos cenários históricos da Reforma protestante. Trata-se de "pedra angular ao nosso caminho comum para a plena unidade visível", disse o papa, segundo a agência Zenit. Bento XVI lembrou, contudo, que ainda há diferenças sobre a questão central da justificação e os caminhos pelos quais a graça de Deus comunica-se na Igreja, e que devem ser encarados no diálogo conjunto. "Nosso caminho ecumênico conjunto seguirá dificuldades que exigirão diálogo paciente. Sinto-me, contudo, animado pela sólida tradição de estudo e intercâmbio que caracterizaram as relações católico-luteranas ao longo dos anos", disse o hóspede aos visitantes. "Estamos conscientes de como você, com o apoio do papa João Paulo II, contribuiu ativamente para o cumprimento desse marco ecumênico", afirmou o presidente da FLM, bispo Mark S. Hanson, na saudação ao papa e referindo-se ao documento conjunto assinado por católicos e luteranos em 1999. Hanson, que também preside a Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA), destacou outros seguimentos ao reconhecimento conjunto da Doutrina da Justificação. Em julho de 2006, o Conselho Mundial Metodista deverá manifestar apoio formal ao consenso alcançado a respeito do tema. "Esse desenvolvimento nos dá grande alegria e mostra que a Doutrina da Justificação não é entendida como se diria respeito apenas a católicos e luteranos, mas ela pertence a toda a Igreja", declarou Hanson na visita ao Vaticano. Esse é o primeiro contato de uma delegação luterana com o novo pontífice, informa o serviço de imprensa da FLM. Para o bispo norte-americano, não deveria persistir nenhuma dúvida de como católicos e luteranos, junto com outros, também encaram questões éticas e de justiça social à luz da Doutrina da Justificação. Durante a audiência privada, o secretário geral da FLM, pastor Ishmael Noko, referiu-se ao acordo alcançado sobre a justificação como uma "carta viva", destacando que o documento conjunto desafia as duas igrejas a esclarecerem à humanidade o sentido da Doutrina da Justificação. Noko também instou Bento XVI a usar o seu papado para dirigir ao mundo, marcado por violações, questões que dizem respeito aos Direitos Humanos. O bispo de Roma lembrou os 500 anos da publicação das 95 teses, que o reformador Martim Lutero pregou na porta da igreja de Wittenberg, fato que deu início à Reforma protestante. "Ao nos prepararmos para celebrar os 500 anos dos acontecimentos de 1517, deveríamos intensificar nossos esforços para compreender mais profundamente o que temos em comum e o que nos divide, assim como os dons que podemos oferecer-nos mutuamente", disse Bento XVI. O documento "A apostolicidade da Igreja", que deverá sair em 2006, soma-se a outros informes publicados pela Comissão Católico-Luterana, como: "O Evangelho e a Igreja", de 1972, "A Eucaristia", de 1978, "Caminhos de Comunidade", de 1980, "O ministério na Igreja", de 1981, "Diante da Unidade", de 1984, e "Igreja e Justificação", de 1994.
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