O secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis,
no dia 10/02/03, a seguinte mensagem:
A paz é fruto da justiça e da solidariedade. O Papa João XXIII, há quatro décadas, na encíclica Pacem in Terris, relembrava o texto sempre atual do Profeta Isaias: "A paz é fruto da justiça". Não podemos esquecer que a verdadeira paz se constrói sobre novas relações internacionais, fundamentadas na defesa dos direitos humanos, na soberania das nações, numa justa distribuição dos benefícios do progresso e numa ética que, respeitando as diferenças culturais, combata as desigualdades sociais e econômicas.
Sem dúvida, a paz é hoje um dos maiores anseios da
humanidade. E todas as pessoas podem colaborar para uma cultura da paz por meio de gestos
de paz. Na mensagem de João Paulo II, no limiar deste novo ano de
2003, em comemoração aos quarenta anos da encíclica
Pacem in Terris, o Papa relembra que "gestos de paz nascem de pessoas que cultivam constantemente
no próprio
espírito atitudes de paz; são fruto da mente e do
coração de 'construtores de Paz' (cf. Mt 5,9).
Gestos de paz são possíveis quando as pessoas têm
em grande apreço a dimensão comunitária da vida, podendo assim perceber
o significado e as conseqüências que certos acontecimentos têm para
a sua própria comunidade e para o mundo inteiro. Gestos de paz criam uma tradição
e uma cultura de paz"(n.9). Relembra também o Santo Padre as quatro colunas
da paz da carta de João XXIII, como que quatro exigências concretas
da alma humana: a verdade, a justiça, o amor e a liberdade. De fato, o que
constatamos é que nações poderosas do Planeta consideram a guerra como
um instrumento aceitável de política externa. Isso cria uma cultura
internacional de medo,
ameaça e insegurança.
O mais grave é darmo-nos conta de que, por trás do
pretexto do combate ao terrorismo, escondem-se inconfessos interesses econômicos.
O poder de destruição da guerra no mundo de hoje é totalmente
imprevisível, com conseqüências de grandes proporções. Como
nos lembra sempre o Papa João Paulo II, a guerra é a pior forma de resolver os conflitos
entre homens e
nações. Os caminhos pacíficos do diálogo
e das negociações jamais devem se fechar.
A CNBB une sua voz à de milhões de brasileiros e brasileiras,
e às aspirações dos povos de todos os países, para
erguer a bandeira da paz! E sugere que, no dia 15 ou 16 de fevereiro, as nossas comunidades
cristãs façam gestos concretos em favor da paz: orações,
bandeiras brancas,
encontros ecumênicos ou outras formas de manifestação.
"Eu vos dou a paz, eu vos deixo a minha paz", disse Jesus. Mais do que nunca, o mundo
tem necessidade desse legado.
Brasília, 10 de fevereiro de 2003
Dom Raymundo Damasceno Assis,
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB