D. Demétrio Valentini
Foram bonitas as manifestações pela paz. Pela primeira vez, num único dia, de modo concertado e consciente, do mundo inteiro foi subindo um clamor firme e uníssono, urgindo paz e banindo propósitos de guerra.
O dia 15 de fevereiro de 2003 marca uma virada histórica. A humanidade se embrenhou, de vez, nos caminhos da paz.
Já era tempo de aparecer um sinal de esperança, neste alvorecer de novo milênio. Buscava-se alguma flor inesperada, em meio aos penhascos do velho sistema. Havia um desconforto incontido diante da mesmice da guerra.
Pois bem, o mote foi lançado no Fórum Mundial. O dia D foi marcado. Mas desta vez, não para dar início a outra batalha das velhas guerras. Mas para começar a marcha pela paz, que não pode mais se deter.
Foram estes os sentimentos dos milhões de participantes, que saíram às ruas em centenas de cidades, em todos os continentes. Basta conferir o relato da manifestação de Roma, feito pela jornalista Eletta Cucuzza, da revista Addista. "Éramos três milhões, uma coisa inacreditável mas verdadeira. A comoção e a alegria por aquilo que estava acontecendo se espelhava no rosto de todos", escreve a jornalista. E aí ela manifesta o que me parece decisivo no momento da história em que vivemos: "a convicção absoluta de estarmos aí para fazermos uma coisa indispensável, irrenunciável e eficaz. Juntos conseguiremos!".
Aí está! A hora é de construir a paz. E’ urgente, é indispensável, é possível, é agora!
O século passado foi campeão de guerras. Duas de primeira categoria. E centenas de outras. Até nas guerras fomos habituados a pensar que umas são de "primeiro mundo", outras são "periféricas", secundárias, desimportantes, porque passam longe de nós. Na verdade, toda guerra nos atinge, nos humilha, e nos derrota.
As duas "guerras mundiais" estiveram ligadas a centenas de outras, feitas para acomodar interesses dos países centrais. Essas guerras "periféricas" foram sacrificando vidas, arrasando países, destroçando esperanças. Contabilizando todas, foram mais de cem. Algumas renomadas, como a do Vietnam, da Coréia, do Oriente Médio. Outras mais anônimas, na medida em que passaram desapercebidas da mídia que nos oferece o cardápio cotidiano da alienação.
Viemos de um século especialista em guerras. Precisamos garantir que o novo século seja construtor de paz.
As manifestações do último final de semana abriram uma esperança, e apontam um compromisso claro e decisivo. Assim como a guerra precisa ser preparada, precisamos preparar os caminhos da paz. Não podemos ficar inertes, esperando que a paz aconteça como resultado da guerra. A paz precisa preceder e evitar a guerra.
As manifestações de massa não podem ser permanentes. Elas já nos deram o seu recado. Agora, é preciso fortalecer os instrumentos que podem desmontar os planos da guerra. E’urgente, por exemplo, fortalecer a ONU, que já andava cambaleante e impotente. Foi importante a manifestação do Presidente Lula contra a guerra. Na causa da paz, não há lugar para titubear.
E todos precisamos estar atentos, e dispostos a fortalecer a corrente
pela paz. Começa o tempo novo da "cidadania universal". Seu primeiro
compromisso é a causa da paz!