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Dia 21 de julho: Manhã |
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08:00h – espiritualidade (Regional SP) 08:30h – As exigências do ecumenismo na pastoral/evangelização (Regional SP)
Pe. Bizon – Uma das exigências para o ecumenismo é a oração. DA (Documento de Aparecida) 228 – “O ecumenismo não se justifica por uma exigência simplesmente sociológica senão evangélica, trinitária e batismal...”. UUS (Ut Unum Sint) 8 – “Cheia de esperança, a Igreja Católica assume o empenho ecumênico como um imperativo da consciência cristã, iluminada pela fé e guiada pela caridade...”.
1º Exigência: Oração: (realidade, Palavra de Deus e símbolos da fé). Segundo a UR (Unitatis Redintegratio) 8 – o ecumenismo espiritual é pautado pela conversão de coração, pela santidade de vida e pela oração em conjunto em prol da unidade dos cristãos. Para João XXIII, “A união dos cristãos precisa começar pela oração”. Uma das experiências existentes nesse campo são os retiros ecumênicos. O Cardeal Walter Kasper, no “Guia para uma espiritualidade ecumênica” enfatiza a importância da Oração Pessoal e da Oração em Comum. O DA afirma que a unidade é um dom do Espírito Santo e que oramos pouco por esta intenção.
2º Exigência: Diálogo: O “Diretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo” no parágrafo 172 traz algumas indicações sobre o diálogo: o diálogo está no centro da colaboração ecumênica; exige que se escute e se responda (compreensão mútua); exige que se esteja disposto a apresentar questões e ser questionado; é comunicar algo de si e ter confiança no que os outros dizem de si próprios; prescinde reciprocidade, igualdade e empenho mútuo entre os interlocutores; permite ainda o conhecimento dos pontos comuns e das diferenças entre os membros de cada Igreja. O Decreto UR 5 diz que todos na Igreja, tanto leigos como pastores, devem interessar-se pelo diálogo em busca da união. O DA 231 afirma que desde o Concílio Vaticano II o diálogo vem acontecendo, mas precisamos intensificar a qualificação e a participação de novos agentes do ecumenismo; tornar mais conhecidas as declarações da Igreja Católica; estudar o diretório, reforçar a catequese, a liturgia, a formação presbiteral e pastoral. Alguns frutos do diálogo: Comissões bi-laterais: ICAR-Anglicana; ICAR-Luterana; ICAR-Judaica; CONIC; Encontros ecumênicos: Sulão, XII Encontro Ecumênico do Regional Sul 1; CF´s 2000, 2005 e 2010; Movimentos; Organismos e Comissões diocesanas.
3º Exigência: Ação Social: Ações voltadas para a Paz. A solidariedade no serviço à humanidade (união em defesa da vida). Solidariedade na busca da liberdade, da justiça, da paz. Um exemplo que temos é a CESE com suas ações voltadas para o social. Muitos cristãos participam de ações em prol da transformação social tendo em viste o respeito aos direitos humanos e as necessidades de todos, especialmente dos pobres, humilhados e desprotegidos. É preciso levar em conta a Oração, a Palavra e a Ação. O Papa Bento VI afirma: “Não bastam manifestações de bons sentimentos, é preciso que haja gestos concretos que levem a uma transformação interior, fundamento essencial para o progresso do ecumenismo”.
4º Exigência: Formação: A formação cristã é necessária em todos os níveis e em todos os momentos da vida cristã. Tanto bispos, padres, religiosos e leigos são responsáveis pelo ecumenismo. A dimensão ecumênica deve ser intensificada na formação dos que trabalham na pastoral como, por exemplo, nos Institutos de Teologia, através da transversalidade das disciplinas (Bíblia, história, liturgia, ecumenismo), e a interdisciplinaridade no ensino religioso. Temos ainda o Curso de pós-graduação do ITESC, bibliografias e cursos para leigos com a matéria de ecumenismo.
Conclusão: DA 233 “Nesta nova etapa evangelizadora, queremos que o diálogo e a cooperação ecumênica se encaminhem a suscitar novas formas de discipulado e missão em comunhão. (...) Um passo nesta direção é o encontro com interlocutores pentecostais responsáveis e fraternos que compartilham a estima, a oração e o estudo”. 10:00h Café 10:30h Grupos (questões acerca do tema da manhã) – Regional de SP:
Sobre a presença da Oração nas ações ecumênicas, o que ainda falta e sugestões acerca disso:
Grupo 1: Diz que a oração é mais para os católicos que ecumênica. Grupo 2: Destaca a Semana Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) e o Dia Mundial de oração (DMO), porém ainda têm uma realização muito pequena. Sugere que sejam colocadas como prioridades da Igreja. Necessitam de maior divulgação. Grupo 3: Há lentidão, dificuldade de participação e líderes que vêm, mas a comunidade não vem. Sugere que se coloque uma prece pela unidade nas liturgias. Na formação para pais e padrinhos do Batismo trabalhar conteúdos ecumênicos, bem como na catequese. Grupo 4: Destaca o DMO, os cursos e estudos ecumênicos, formação de crianças e de jovens na área ecumênica. Grupo 5: Lembram a importância da SOUC, dos retiros espirituais ecumênicos e das celebrações ecumênicas. Grupo 6: Trazem presente a SOUC; destacam os locais celebrativos comunitários; as ações em comum em termos de Igreja, como é o caso da Pastoral do Turismo; Dom Orlando, o qual se reunia com o pastor Manfredo para rezar; lembram do Ministério de Consolação e Esperança (Exéquias), dos Grupos Bíblicos de Reflexão (GBR), nos quais também participam membros de outras denominações. Falta, no entanto rezar pelos irmãos de outras Igrejas. Grupo 7: Ainda há grande resistência ao ecumenismo. É preciso insistir na oração pela unidade e orar em conjunto. Sugerem que nas preces comunitárias deve ser acrescentada uma pela unidade. Orar pela paz como oração ecumênica. Na oração das Laudes convidar outros irmãos de outras Igrejas. Tomar cuidado na oração da Ave Maria em ambientes ecumênicos (usar uma linguagem inclusiva). Saber escolher os textos bíblicos (evitar os deuterocanônicos). Grupo 8: Primeiramente existe a oração ecumênica na vivência do dia-a-dia, nas formaturas, nos colégios parece que não há problemas, há convivência. Há porém espaços de resistência no âmbito religioso, pois depende muito das lideranças. Dentro da própria Igreja os católicos têm medo da evasão. Constata-se também que existem grupos que trabalham as 4 dimensões do ecumenismo (ex. Pastoral do Turismo). Sugestões: Continuar construindo a prática ecumênica. Como: preparando a homilia com o cuidado ecumênico; por meio dos manuais de catequese e dos subsídios que atingem o grande público; conhecer e respeitar a simbologia das Igrejas e da própria ICAR; tendo cuidado com a linguagem que se usa; clareando a concepção de ecumenismo e de Igreja. Há no ambiente uma vontade muito grande de continuar visitando os grupos e outras Igrejas estando aberto a dar a voz, não só continuando a assistir. Grupo 9: Dá destaque à SOUC. Mas a unidade acontece só durante aquela semana, depois esquece-se, entretanto existem esforços para que não fique só nela. Sugestões: É preciso ir além dos momentos de oração.
Como está a situação do diálogo e como envolver mais as Igrejas na realização do diálogo?
Grupo 1: Detecta que padres e pastores não incentivam muito. Grupo 2: Lembram que muitos cursos ainda não têm a variedade de participantes que deveria ter. Sugere que se oportunize a mais padres, pastores e leigos para o estudo. Pode-se ter mais abertura para Igrejas pentecostais. Grupo 3: Sugere que se estabeleçam prioridades para o diálogo. Falta incentivo. Grupo 4: Destaca as ações no campo das escolas e no diálogo inter-religioso com professores especializados. Lembra ainda da existência das cozinhas comunitárias, dos GBR, espiritualidade ecumênica e de Dom Orlando. Sugere que se descubra no meio do povo as fontes do diálogo. Grupo 5: Lembra dos padres e pastores que não dão muito valor ao diálogo. Porém entre Católicos e Luteranos há uma abertura para o diálogo. Grupo 6: Sugere a realização de alguns eventos como almoços, cafés, jantares ecumênicos, bem como de encontros entre padres e pastores. Grupo 7: Diz que falta técnica para dialogar. Primeiramente é na vida conjugal que se aprende a dialogar, depois na dimensão comunitária e na social. Faz menção a manipulação dos meios de comunicação sobre os pronunciamentos do papa. Sugestões: Investir nos sites da Internet; reunir a imprensa e divulgar as nossas convicções ecumênicas; levar um presente para os irmãos de outras denominações na Páscoa e no Natal; investir no acolhimento e na aproximação; construir uma sólida amizade e evitar a discriminação. Grupo 8: Existe o diálogo inter-religioso, mas o grande desafio é ser ecumênico dentro da própria Igreja. Há ainda muitos limites. Grupo 9: Destaca a existência das comissões de diálogo. Sugere que se façam programas de rádio esclarecendo pontos básicos do diálogo e se usem também de meios de comunicação como os jornais.
No campo da Formação e da Ação Social. O que existe, desafios e sugestões.
Grupo 1: Sugere que haja formação em todos os níveis, principalmente entre catequistas, pais e padrinhos deve-se falar sobre o ecumenismo. Dar prioridade para a ação social, pois nos encontramos mais em momentos difíceis, em velórios, em ações de combate à fome, na entrega de sextas básicas, etc. Grupo 2: Em muitos trabalhos vê-se a acolhida de pessoas de outras denominações. O desafio está na administração conjunta de projetos sociais. Lembram que a formação de seminaristas é muito intelectual, mas sem convivência ecumênica. Grupo 3: É preciso saber que não somos os únicos a falar de Jesus Cristo. O que podemos fazer em comum é o trabalho social, pois une mais as Igrejas. Quanto à Formação, é importante ter formações locais; saber falar sobre o ecumenismo com conteúdo; conhecer o movimento ecumênico e os fundamentos bíblico- teológicos. Sugestões: Incentivar os cursos e estudos ecumênicos. Grupo 4: Formação: troca e partilha (experiência de São Paulo em políticas públicas). Visar maior abertura, diálogo e conhecimento. Grupo 5: Curso de ecumenismo, escola de fé e vida. Em Joinville a Univille promove o curso de ciência da religião. Destaca a Ação Social em comum entre luteranos e católicos; a cavalgada solidária, na qual arrecadam-se alimentos, cobertores e distribuem para a comunidade; as cozinhas comunitárias do Pe. Fachine; a Pastoral da Criança; os asilos, onde muitas pessoas fazem trabalhos ecumênicos, mas nem sabem. Falta valorizar o diálogo: “Você tem que respirar (orar) em conjunto”. Ecumenismo com crianças, idosos e adultos. Investir na formação de padres e pastores. Grupo 6: Destacam as casas de recuperação e as ações voluntárias, mas necessita-se de trabalho de prevenção. Na formação tem destaque as Escolas de Ecumenismo Diocesanas; os Cursos de teologia para leigos e o CEBI. Grupo 7: Traz a experiência de Friburgo, no Rio de Janeiro com a catequese de Primeira Comunhão feita em conjunto entre católicos e luteranos. O CDC não define o ecumenismo. Na formação lembra dos cursos CEBI e sugere que se promovam cursos para jovens a nível ecumênico; que sejam realizadas pastorais sociais ecumênicas, como, por exemplo, nas casas de recuperação, Grupo 8: Todos participam sem perceber, como, por exemplo, na Campanha do agasalho. Na formação há vários problemas em todas as comunidades, mas temos avanços. A própria palavra ecumenismo assusta, pois falta formação e esclarecimento. A formação em certas denominações depende da base enquanto que em outras dependem “só de cima” (das autoridades).
Pe Bizon: Agradece e relata a riqueza dos grupos. Já foram dados alguns passos na busca da unidade, mas precisamos caminhar muitos quilômetros.
Dom Oneres. Muitas riquezas de experiências, mas muitos desafios: em tudo o que está sendo feito é preciso colocar muito amor. “Cristo mandou que nos amássemos e não que nos amacemos”. Deve estar presente a disposição interna para o perdão. Oração: Na liturgia, na catequese se reza pela paz, pois a única oração dirigida a Jesus Cristo é quando se reza pela paz: “dai-nos a paz e a unidade”. A unidade interna da nossa Igreja e com as demais Igrejas. Primeiro vem a unidade da Igreja de Jesus Cristo, depois vem as Igrejas, e a unidade interior de cada Igreja. Desafios: trabalhos que são ecumênicos porque aceitam pessoas de outras Igrejas, mas na sua constituição não são. Na oração se tem o espírito ecumênico. A importância de dar prioridade à oração. Ter um espírito ecumênico. Importância de ter espaços de oração, rezar pela unidade. Cuidados especiais com a homilia e com os subsídios catequéticos. Conhecer para respeitar a simbologia de cada Igreja. Diálogo: caminhada muito grande a ser feita, não percebe grandes passos, existem comissões de diálogo bilaterais, nacionais e internacionais, mas não temos muito conhecimento do que acontece. É preciso conhecer a minha Igreja e um pouco da outra e sentar juntos, olhar nos olhos e conversar de maneira fraterna. Ação Social: Ações localizadas. Exemplo de Joinvile com as cozinhas comunitárias; em Lages, o programa “Lages sem fome”, o pobre está comendo um pouco mais. Faltam ações conjuntas entre regionais, dioceses e sínodos. Desafio: Administração em conjunto. Formação: É o que mais nos desafia. Dos futuros padres e pastores, mas não só. Na CNBB cada ano tem um encontro nacional, com formadores, professores de ecumenismo nos institutos de teologia no Brasil. Este é aberto para coordenadores diocesanos. Desafios: formação ecumênica de catequistas. Há crianças que vêm de famílias onde um membro é de uma Igreja e outro de outra. É preciso uma formação nesse sentido, sobre a diversidade. A formação na pastoral, no trabalho da família, cursos de noivos, casamentos mistos, pluralismo dentro da família. A questão do ensino religioso é preocupante no Brasil. No Rio, o ensino religioso é confessional. A CNBB trabalha pelo ensino multiconfessional. Mas as escolas muitas vezes não usam destes profissionais e acabam colocando professores desqualificados. Importância de uma organização do trabalho ecumênico para estudo planejamento e execução de ações ecumênicas, rezarmos juntos sem medo de ser feliz. Necessidade de uma Pastoral organizada, “não planejar é tentar o ES” (João XXIII). Não planejar é negar o Vaticano II. |